sexta-feira, 4 de novembro de 2011

UMA REFLEXÃO A PARTIR DA VISITA CANÔNICA GERAL

“Servidores da Hospitalidade na Igreja e no mundo”, foi com este lema que o Visitador Geral (Ir. Daniel Bocanegra) iniciou a Visita Canônica Geral na Delegação Provincial do Brasil no dia 12 de outubro de 2011. Acompanharam o Visitador os Irmãos José Augusto Gaspar Louro (Provincial) e Roni Ribeiro (Secretário da Visita).


A Visita Canônica está prevista nas Constituições da Ordem Hospitaleira (número 87) e no Código de Direito Canônico (cânon 628,1). Os principais objetivos da Visita Canônica é sem dúvida conhecer a realidade das Comunidades dos Irmãos e dos Hospitais (Centros Apostólicos), e falo conhecer para avaliar, animar e se for necessários tomar decisões.

Muitas pessoas esperavam que o Visitador fosse trazer respostas para as suas diversas interrogações, acredito que isso não aconteceu. O Visitador é um representante do Governo Geral da Ordem e seu papel é convidar a todos para uma reflexão, acerca daquilo que estamos fazendo e se estamos cumprindo os nossos objetivos de acordo com as orientações do Governo Geral da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

Na reflexão que somos convidados a fazer alguns temas não podem faltar, como:

• Escola de hospitalidade;

• Espiritualidade e missão dos Irmãos

• Ética e Bioética;

• Formação continuada;

• Gestão Carismática;

• Irmãos e Colaboradores;

• Prática da hospitalidade;

• Transmissão dos valores;

• Transparência;

• Etc.

Entretanto, no discurso de abertura o Visitador pronunciou o seguinte: a razão de ser de uma Visita Canônica e o lema da Visita. Mas, o que achei interessante e que merece reflexão, foi quando disse que devemos: “... ajudar os Irmãos, as Comunidades e os Colaboradores a confrontar-se com o fim próprio da Ordem, expresso nas Constituições e na sua Carta de Identidade, e que foi trabalhado a partir das linhas de ação, tanto do último Capítulo Geral como do Capítulo Provincial, e faz referência à missão, isto é: a gestão carismática, a pastoral da saúde e a ação social, a transmissão dos valores, a escola de hospitalidade, a bioética, as geminações”.

É impossível ficar “off” diante de tudo o que foi dito pelo Visitador. Hoje estamos num mundo impossível de se esconder, não tem como os nossos Centros ignorarem a Gestão Carismática, a Bioética e a importância das parcerias. Temos que trabalhar de forma transparente, esse é um convite que a Ordem nos faz todos os dias.

Quando se falar em trasparência não se pode em hipótese alguma ignorar a ética. Falar em ética em nosso país as vezes é tão difícil... diante do exemplo dos nossos governates. No entanto, devemos continuar acreditando que ela é fundamental para a nossa organização e para o nosso país.

Para concluir quero citar Fábio Barbosa (Presidente do Conselho de Administração do Santander) que disse na “Revista Ética”: “Algumas pesoas me perguntam o que é ética e eu não sei responder precisamente, mas costumo dizer que se eu puder compartilhar à mesa do jantar, com a minha família, com meus filhos, o que fiz, provavelmente devo ter sido ético”.

Achei interessante porque Fabio fala de ética e transparência de uma forma simples, descontraida e de fácil entendimento.

Acredito que a responsabilidade de construir um mundo mais ético e transparente é missão de todos nós.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

RESPONSABILIDADE SOCIAL

O Lar São João de Deus pertence à Associação Hospitaleira de Assistência Social (AHAS), que “é uma pessoa jurídica de direito privado, associação de fins não econômicos”. Canonicamente e em todo mundo está ligado a Ordem Hospitaleira de São João de Deus, Ordem Religiosa de Caridade da Igreja Católica.

Há mais de 40 anos o Lar vem desenvolvendo um papel relevante na assistência à terceira idade da região serrana do Estado do Rio de Janeiro. O Lar nos últimos anos passou por uma reforma completa, transformando-se numa instituição com estrutura física de primeira qualidade e projeto terapêutico moderno que assiste o idoso de forma integral.

O objetivo de todo esse investimento é oferecer um serviço de qualidade para os nossos idosos. A humanização, a qualidade, o respeito, a espiritualidade e a subjetividade são tratados como prioridade no Centro pelos nossos religiosos e colaboradores. Os idosos precisam sentir-se como em sua casa, ao mesmo tempo em que recebem todo suporte para um envelhecimento saudável.

Mesmo com uma boa estrutura, com uma equipe técnica competente, temos algumas preocupações em relação ao futuro do Lar São João de Deus. A nossa preocupação se volta para a sustentabilidade, pois, o nosso objetivo é continuar a oferecer uma assistência integral, de qualidade e para quem mais precisa.

É certo que somos uma instituição que de acordo com seu estatuto é “sem fins não econômicos”, mas isso não quer dizer que temos que trabalhar no “vermelho” ou endividado. Acredito que mesmo as instituições de fins não econômicos necessitam pagar suas despesas e ao final do mês ainda terem um superávit mínimo para investir em melhorias.

Em relação à dificuldade em manter a assistência por falta de recursos, sabe-se que o nosso fundador, São João de Deus, também sofreu com esse mesmo problema quando iniciou seu trabalho na cidade de Granada (cidade próxima a serra nevada no sul da Espanha). João de Deus promoveu uma assistência de qualidade e sua obra não desapareceu mesmo depois da sua morte, sabem por quê? Porque muitas pessoas acreditaram na sua obra e o ajudaram a mantê-la viva e eficaz ao longo dos séculos.

Isso acontece, também, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, para que o nosso Lar continue existindo e oferecendo uma assistência de qualidade necessitamos de pessoas que acreditem no projeto do Lar São João de Deus. O governo e a população devem sentir-se responsáveis pelo futuro do Lar, pois o sucesso dessa instituição depende dos religiosos da Ordem Hospitaleira, dos colaboradores, do governo e da população em geral.

Assim sendo, não tenho muitas alternativas a não ser pedir que a população da região serrana do Estado do Rio de Janeiro assuma seu lugar de co-responsáveis junto ao Lar São João de Deus. Todos devem sentir-se orgulhosos por terem na região uma instituição como o Lar que oferece a terceira idade uma assistência integral, de qualidade e acessível a todas as classes sociais.

A responsabilidade em relação à sustentabilidade das instituições beneficentes de suas cidades é dever de todos. Vamos todos marcar presença e assumir as nossas responsabilidades e ajudar a criar uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ESCOLA DE HOSPITALIDADE

Prezados e Prezadas,



O sonho transformou-se em realidade. A ESCOLA DE HOSPITALIDADE da Ordem Hospitaleira de São João de Deus no Brasil concluiu com êxito suas atividades no primeiro semestre de 2011.

A Escola promoveu o Curso de Hospitalidade e Cultura Hospitaleira com os seguintes módulos:

I Módulo: Vida, obras e cartas de São João de Deus;

II Módulo: Carta de Identidade e Espiritualidade da Ordem Hospitaleira de São João de Deus;

III Módulo: Os Valores da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

Carga horária: 40 horas.

Total de participantes: 70.

O III Módulo foi realizado em Petrópolis – RJ no seminário das Arcas. A integração entre os Irmãos e Colaboradores das diferentes Casas do Brasil, as dinâmicas, os momentos de espiritualidade e as conferências contagiaram os participantes e ficou a sensação que os dias passaram demasiadamente rápidos e o pedido de quero mais foi inevitável da maioria dos participantes.

Para o segundo semestre de 2011 a Escola de Hospitalidade está com a seguinte programação:

SEMANA DE HUMANIZAÇÃO (Planejado para Agosto de 2011) e deve abordar, sobretudo os temas: Humanização e Hospitalidade;

FÓRUM DE GESTÃO CARISMÁTICA (Planejado para Novembro de 2011) e deve abordar os temas: Gestão, Hospitalidade, Qualidade total e Relações humanas e de trabalho.

GESTÃO CARISMÁTICA

A Ordem Hospitaleira de São João de Deus é convocada a imprimir nos seus estabelecimentos hospitalares uma Gestão Carismática e que toda a Família de São João de Deus se responsabilize pela prática e avaliação constante dessa Gestão.


Entendo por Gestão Carismática: a transparência, os valores joandeínos, a ética, a autenticidade, a competência e o carisma.

Portanto, não podemos falar em Gestão Carismática se não pensarmos na população mais carente, se não estamos abertos para as novas formas de exercer a hospitalidade que herdamos de São João de Deus, se não falarmos em nossos valores (hospitalidade, qualidade, respeito, responsabilidade e espiritualidade), se a nossa opção não for pelos mais necessitados, se a nossa gestão não for transparente, se a nossa gestão não for participada pela Família de São João de Deus, etc.

São João de Deus foi um homem que se preocupou com os mais necessitados, com os mais pobres. Foi um homem que apresentou na sua época um modelo original para exercer a hospitalidade. Seu hospital era diferente dos outros da cidade de Granada. Mesmo não sendo um homem culto, intelectual, conseguiu conquistar a todos da região sul da Espanha com seu testemunho, transparência e carisma.

O Governo Geral da Ordem nos orienta: “manter sempre uma transparência administrativa, garantida e comprovada se necessário” e “implementar um sistema de qualidade carismática, homologada, que nos ajude a avaliar o carisma e os valores da Ordem na missão que se realiza, de acordo com a Carta de Identidade da Ordem”.

Já o Pascual Piles Falava: “Temos que nos preocupar por viver o carisma de São João de Deus na nossa sociedade, ou seja, com as mudanças que nos tornem capazes de nos adaptar às circunstâncias em que devemos viver”.

sábado, 23 de abril de 2011

O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA

Trata-se de um PEQUENO LIVRO com apenas 62 páginas. O texto é apresentado em blocos, não respeitando paragrafação e pontuação, obriga o leitor a se manter preso às mãos do narrador e seguir com ele navegando para dentro dos becos de si mesmo, questionando as suas próprias vergonhas. No Livro José Saramago conta a história de um homem que bate à porta das petições do rei para pedir-lhe um barco a fim de navegar em busca da ilha desconhecida. O rei quer saber para que lhe servirá um barco e ao receber a resposta de que partiria EM BUSCA DA ILHA DESCONHECIDA, entende-o como louco: “Já não há ilhas desconhecidas”. (p.27). “Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar” (p.32). Assim, essa pequena grande história, brincando com os sentidos das palavras envoltas num misto de fantasia e realidade, CONVIDA-NOS A PARTIR EM BUSCA DE NOSSA PRÓPRIA ILHA DESCONHECIDA, talvez escondida dentro de nós mesmos. “...mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver” (p.40). “Se não sais de ti, não chegas a saber quem és” (p.40).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

IV CONFERÊNCIA REGIONAL DA ORDEM HOSPITALEIRA NA AMÉRICA



IV CONFERÊNCIA REGIONAL DA ORDEM HOSPITALEIRA NA AMÉRICA


Buenos Aires, 27 de março a 1 de abril de 2011

A IV Conferência aconteceu em Buenos Aires com o lema: “A Família de São João de Deus a serviço da Missão”.

Durante os cinco dias de conferência os participantes (membros da Família de São João de Deus), tiveram a oportunidade de fazer uma reflexão sobre o futuro da Ordem Hospitaleira de São João de Deus e sua presença no continente americano.

Os principais temas abordados foram:

1. Espiritualidade;

2. Renovação;

3. Família de São João de Deus;

4. Realidade e missão da Ordem na América;

5. Capítulo Geral de 2012.

Fotos, programas, apresentações e outras informações sobre IV CONFERÊNCIA REGIONAL DA ORDEM HOSPITALEIRA NA AMÉRICA que aconteceu em Buenos Aires de 27 de março a 1 de abril de 2011- acesse o site: www.hsjd.org/america

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PSIQUIATRIA: bioética - insanidade e (des)humanização

RESUMO:
Este trabalho tem por objetivo aborda a questão da psiquiatria e da (des)humanização quando a Bioética não se faz presente no ambiente psiquiátrico. Será apresentado o caso de um hospital psiquiátrico que foi fechado pelos maus tratos e pela crueldade com que eram tratados os seus pacientes. Acreditamos que temos a responsabilidade de mudar a situação da saúde mental e da psiquiatria e nunca devemos acusar outros pelo fato de a mudança não ser possível, pois depende também de cada um de nós. Abordaremos também o insuportável suscitado pela loucura e a urgência em humanizar a prática e os cuidados em psiquiatria.
PALAVRAS-CHAVE: Psiquiatria. Loucura e normalidade. Bioética e humanização.


ABSTRACT:
This paper aims to address the issue of psychiatry and of (un)humanization when bioethics is not present in the psychiatric environment. Will present the case of a psychiatric hospital that was closed by the mistreatment and cruelty with which their patients were treated. We believe we have a responsibility to change the situation of mental health and psychiatry and we must never blame others because of the change is not possible, because it also depends on each one of us. We will also approach the unbearable raised by madness and the urgency to humanize the practice and care in psychiatry
KEY WORDS: Psychiatry. Madness and normality. Bioethics e humanization.


RESUMEN:
En este trabajo se pretende abordar el tema de la psiquiatría y de la (des)humanización cuando la bioética no está en el medio psiquiátrico. Se presenta el caso de un hospital psiquiátrico que fue cerrado por el maltrato y la crueldad con que fueron tratados los pacientes. Creemos que tenemos la responsabilidad de cambiar la situación de la salud mental y psiquiatría y no debemos culpar a otros por el cambio no es posible, porque también depende de cada uno de nosotros. También se acercará a lo insoportable planteado por la locura y la urgencia de humanizar la práctica y la atención en psiquiatría.
PALABRAS-LLAVE: Psiquiatría. Locura e normalidad. Bioética e humanización.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

AMIGOS

Graça e Paz!
Estamos nos aproximando do Natal do Senhor e com ele o final de 2010. Imagino que para alguns foi um ano interminável. Já para outros foi um ano que passou muito rápido. De qualquer forma quero agradecer a todos pelo trabalho, pela disponibilidade às mudanças, e as decisões que tomamos durante este ano e que nos iluminarão no futuro. O mundo da saúde não é fácil. Há sempre surpresas. Procurei trabalhar em comunhão com todos, mas tendo em conta à realidade que cada um representa.
Não podemos negar o crescimento da Ordem Hospitaleira no Brasil durante este ano de 2010 e graças aos esforços de todos que trabalharam incansavelmente por uma Casa de Saúde melhor, por um Hospital melhor, por um Lar melhor, por uma Casa da Hospitalidade melhor, por uma Escola de Enfermagem melhor e por um Plano de Saúde melhor. Confesso que algumas vezes me sinto mal ao ver o cansaço que se traduz no rosto de cada um. Eu também estou cansado. Mas o importante é não desanimar, pois todo este cansaço se traduz em alegria quando “promovemos saúde e repomos esperanças”.
Que 2011 seja para todos nós um ano de muitas conquistas, muitas realizações, muita hospitalidade e que possamos escutar a voz de Deus e de São João de Deus que nos diz: “vem e segue-me”.

FELIZ NATAL!
FELIZ 2011!

O tempo passa, não volta mais...



quarta-feira, 21 de julho de 2010

OS VALORES DA OH



HOSPITALIDADE
A hospitalidade é o nosso valor central que se exprime e concretiza nos quatro seguintes valores-chave: qualidade, respeito, responsabilidade e espiritualidade.


QUALIDADE
Excelência, profissionalismo, assistência holística, consciência das novas necessidades, modelo de união com os nossos Colaboradores, modelo assistencial de S. João de Deus, arquitetura e mobiliário acolhedores, colaboração com terceiros.


RESPEITO
Respeito pelo outro, humanização, dimensão humana, responsabilidade recíproca com os nossos Colaboradores e Irmãos, compreensão, visão holística, promoção da justiça social, dos direitos cívicos e humanos, envolvimento dos familiares.


RESPONSABILIDADEFidelidade aos ideais de João de Deus e da Ordem, ética (bioética, ética social, ética administrativa), defesa do ambiente, responsabilidade social, sustentabilidade, justiça, distribuição equitativa dos nossos recursos.


ESPIRITUALIDADE Serviço de pastoral, evangelização, oferta de assistência espiritual para pessoas de outras religiões, ecumenismo, colaboração com paróquias, dioceses, outras confissões religiosas.





segunda-feira, 14 de junho de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

TEM GENTE QUE NÃO É FELIZ PORQUE TEM MEDO [...].


O QUE FAZ O MEDO

Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto. Sempre que fazia prisioneiros, não os matava: levava-os a uma sala onde havia um grupo de arqueiros de um lado e uma imensa porta de ferro do outro, sobre a qual viam-se gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue. Nesta sala ele os fazia enfileirar-se em círculoe dizia-lhes, então: Vocês podem escolher entre morrerem flechados por meus arqueiros ou passarem por aquela porta e por mim serem lá trancados". Todos escolhiam serem mortos pelos arqueiros. Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo servira ao rei dirigiu-se ao soberano: -Senhor, posso lhe fazer uma pergunta? -Diga, soldado. -O que havia por detrás da assustadora porta? -Vá e veja você mesmo. O soldado, então, abre vagarosamente a porta e, à medida em que o faz, raios de sol vão adentrando eclareando o ambiente... E, finalmente, ele descobre, surpreso, que......a porta se abria sobre um caminho que conduzia à LIBERDADE!!! O soldado, admirado, apenas olha seu rei, que diz: - Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar-se a abrir esta porta.
Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar? Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos? Pense nisso! Sem medo de abrir novas portas !!!
Autor Desconhecido

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

TIMOR LESTE [a esperança vence o medo]




No dia 18 de dezembro de 2009 deixei a capital paulista rumo a TIMOR LESTE, mas antes passei um dia em Portugal. Cheguei em Lisboa dia 19.12 e dia 20.12 juntamente com o Provincial José Augusto seguimos para Timor, passamos por Paris, Singapura (onde passamos uma noite) e finalmente chegamos a Dili capital de Timor Leste, isso depois de muitas horas de voo e espera em aeroportos.

Passamos um dia em Dili e logo seguimos para a montanha... vale dizer que nesta montanha a Ordem Hospitaleira está construindo um Centro de Saúde Mental.

A noite de natal foi maravilhosa... longe de tudo e de todos... passamos o Natal com Brasileiros e Portugueses que moram lá e também com alguns timorenses.

Foi uma experiência diferente [...], sei que muitas coisas ainda fica por dizer, talvez porque estejam guardadas no coração...

TIMOR LESTE é um País com um futuro brilhante...





BIOÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE

O homem em seu modo de viver busca incessantemente a felicidade e isso tem relação com o querer e o autoconhecimento, bem como a capacidade de ser autônomo. Para o humano atingir esse propósito ele deve ter a liberdade de escolher e fazê-la com consciência, pois isso é fundamental para que ele possa constituir a sua eticidade.
Assim, proponho aqui uma pequena reflexão sobre “Bioética nas organizações de saúde”, uma vez que é muito difícil separar a Bioética dos cuidados em saúde e na administração. Considerando que nosso propósito primário é cuidar das pessoas, não podemos ignorar que o tratamento é afetado pelas decisões administrativas que tomamos. Atualmente, os hospitais são organizações complexas que associam inovações tecnológicas, serviço social, colaboradores [trabalhadores, voluntários e benfeitores], missão de caridade e orientação para os negócios, etc. Os dilemas éticos enfrentados por eles em seu dia a dia também não são nada simples e nem poucos.
Entretanto, o que se sabe é que as expectativas quanto às organizações de saúde não mudaram. A humanidade, de uma forma ou de outra, sempre considerou uma obrigação social dar respostas às pessoas que clamam por cuidados de saúde. Assim, reclama-se da organização de saúde uma atitude ética que leva em consideração a situação vulnerável das pessoas, já que elas colocam sob sua guarda e confiança os limiares críticos e preciosos da vida e da morte.
Por isso que os profissionais do hospital São João de Deus veem trabalhando tanto para manter a sobrevivência do hospital e ao mesmo tempo construir um novo prédio e garantir a assistência às pessoas enfermas que nos procuram. Pode se afirmar também que esta é uma obrigação ética. Entretanto, a viabilidade do hospital não pode ser garantida a qualquer preço. Os administradores e os demais colaboradores precisam sempre considerar que o propósito primário do hospital é cuidar da saúde das pessoas.
Enfim, para não concluir, pode-se dizer que as questões éticas têm sua origem no pensar e no agir humano. É algo que nasce do interior e salta para o exterior de ser, do centro para a periferia, cuja finalidade será a convivência das pessoas regida por normas que propiciem harmonia e equilíbrio aceitável no meio social.

“[...] quando não tiver certeza se o que faz a outrem é permitido ou não pela lei da natureza, que se ponha no lugar do outro. E tal regra não apenas é fácil, mas já era celebrada outrora, nas palavras: quod tibi fiere non vis, alteri ne faceris – não faças aos outros o que não querem que te façam” (Thomas Hobbes)

Tem gente que vive assim [2]...


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tem gente que vive assim...




De acordo com o jornal PSI [jan. 2010], existem hoje no Brasil 23 hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, nos quais se encontram mais de 4 mil pessoas reclusas.
Fechar a porta de entrada dos manicômios judiciários e abrir as de saída foi uma das propostas debatidas no I Simpósio Internacional sobre manicômios judiciários e saúde mental, realizado em São Paulo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

CAIM [José Saramago]


O livro, que narra em tom irônico a história bíblica de Caim, filho de Adão e Eva que matou o irmão Abel. Saramago denunciou "um Deus cruel, invejoso e insuportável, que existe apenas em nossas mentes", e afirmou que sua obra não causará problemas com a Igreja Católica, "porque os católicos não leem a Bíblia". O Deus de Saramago, em "Caim", é um ser rancoroso, mesquinho e mimado, diferindo em tudo do que aprendemos na nossa formação religiosa. Enquanto acompanhamos a trajetória de Caim ao longo de vários episódios marcantes do Antigo Testamento, Saramago apresenta tudo sob uma perspectiva irônica e analítica, abordando as coisas de uma maneira única. Episódios como a expulsão de Adão e Eva do paraíso, as aflições de Jó e a construção da Arca de Noé foram esmiuçadas pelo autor de tal forma que o texto bíblico acaba fornecendo várias entrelinhas que, quando apresentadas a nós, nos deixam a impressão de que tudo não passa de uma grande farsa.

NÃO RECOMENDO A LEITURA…


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

OS NOVOS ESTATUTOS GERAIS DA ORDEM HOSPITALEIRA

Senhoras e senhores,
Nos dias 09 a 21 de Novembro de 2009, um grupo de 75 Irmãos das províncias da Ordem do mundo inteiro reuniram-se em Guadalajara – México para revisarem os Estatutos Gerais da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.
Foram dias de muito trabalho. Os trabalhos eram inicialmente apresentados por um membro da Comissão que preparou o texto proposto, seguidamente os capitulares poderiam fazer perguntas para esclarecer dúvidas, passava-se então aos trabalhos por grupos lingüísticos. Retornado à sala capitular davam-se inicio à leitura das propostas apresentadas pelos grupos e discussão. Os capitulares contavam com a presença de um canonista que esclarecia as dúvidas e acalmavam os capitulares mais angustiados com o novo. Depois de tudo isso a comissão central redigia o novo texto que era mais uma vez revisto pelos grupos de trabalho, e seguidamente já com as observações dos grupos passavam-se às votações. Vale dizer que as votações às vezes eram por artigos e às vezes por blocos dependia muito do entendimento dos capitulares sobre o artigo a ser votado.
O texto que foi aprovado ficou assim:
Uma pequena introdução com um breve histórico da nossa Ordem Hospitaleira.
O primeiro capítulo fala da nossa consagração e se diferencia pouco do texto antigo.
O segundo capítulo é a grande novidade dos novos Estatutos Gerais, pois fala dos nossos colaboradores na Ordem.
De acordo com texto o aprovado “a hospitalidade segundo o estilo de São João de Deus transcende o âmbito dos Irmãos que professaram na Ordem. Promovemos a Ordem como “família hospitaleira de São João de Deus” e acolhemos como dom do Espírito em nossos tempos, a possibilidade de compartilhar nosso carisma, espiritualidade e missão com os Colaboradores, reconhecendo suas qualidades e seus talentos. Desde o princípio, a Ordem tem tido Colaboradores, que participam nas iniciativas apostólicas e obras apostólicas, realizando seus fins e sua missão. Conforme os presentes Estatutos Gerais, os diferentes tipos de Colaboradores na Ordem são: Trabalhadores = são todas as pessoas que expressam sua capacidade de serviço ao próximo nos Centros da Ordem, através de um contrato de trabalho; Voluntários = são as pessoas que dedicam um pouco de si, de seu tempo, de forma generosa e desinteressada a serviço da Ordem, de seus Centros e de seus serviços; Benfeitores = pessoas que ajudam economicamente e/ou espiritualmente a Ordem; Outros que se vinculam de diferentes modos à Ordem, em conformidade com os Estatutos”.
Os novos Estatutos nos dizem que “devemos ajudar a nossos Colaboradores a integrar seus valores profissionais com as qualidades humanas e cristãs necessárias para a assistência aos enfermos e necessitados. Portanto, as Cúrias Provinciais e as Obras Apostólicas devem definir os critérios e as normas para que se respeite os valores da hospitalidade no momento da seleção, contratação, formação dos valores e acompanhamento dos Colaboradores, sobretudo para os cargos de maior responsabilidade”.
E para aqueles que pensavam que os Irmãos Oblatos estavam fora de moda “as Províncias que considerarem oportuno, podem aceitar em suas comunidades, com o nome de Oblatos, as pessoas que quiserem dedicar a sua vida a serviço de Deus, dos enfermos e necessitados em nossa Ordem. O Superior Provincial, com o consentimento do seu Conselho, deve definir as normas que hão de regular sua vida”.
Os capítulos três e quatro trazem poucas mudanças. Um ponto relevante que merece destaque no capítulo quatro é que além da Formação inicial, os novos Estatutos trazem dois artigos sobre a formação permanente “cada província deve ter um plano de formação permanente... cada Irmão deve ter seu plano de acordo com o da Província”.
O Capítulo cinco vem com algumas novidades, como:
Ø O mandato dos Provinciais e superiores passam de três para quatro anos;
Ø Os que vão por direito ao Capítulo também podem votar;
Ø Cada Província pode levar um Colaborador para o Capítulo Geral;
Ø Além do Provincial e dois vogais por Província, agora a Província que tiver 60 Irmãos pode levar mais um Capitular ao Capítulo Geral;
O capítulo seis fala sobre a fidelidade a nossa vocação hospitaleira, mas com poucas mudanças em relação ao texto anterior. E é claro os novos Estatutos termina com uma breve conclusão. Caro leitor se você esperava mais... paciência, pois tendo em conta os “atores” (conservadores) até que foi feito muito.

sábado, 26 de setembro de 2009

VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOÉTICA

Aconteceu em Búzios - RJ de 23 a 26 de setembro de 2009 o VIII Congresso Brasileiro de Bioética com o tema: Direitos e Deveres no Mundo Globalizado.
Os objetivos do Congresso visavam o debate dos seguintes temas:
Direitos e deveres individuais e coletivos, para consigo mesmo e para com o outro e demais seres vivos, a biodiversidade e o Planeta;- globalização e multiculturalismo: direito à igualdade e o reconhecimento da diferença;- medicalização e judicialização do cotidiano: direitos e deveres individuais e coletivos;- tecnociência e sua aplicação aos sistemas vivos: o lixo produzido, necessidades e desejos e/ou ameaças à qualidade de vida do Planeta e à sobrevivência da espécie humana, dos animais e da biodiversidade;- o desenvolvimento econômico: aumento do consumo de energia, finitude e escassez dos recursos naturais, produção e distribuição de alimentos e produtos, antes só disponíveis para alguns países.- o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social tanto das empresas quanto dos governos para com o “futuro comum”.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

"A CLÍNICA DA PASSAGEM AO ATO"

“A clínica da passagem ao ato” foi o tema das IX JORNADAS DO CLIN-a, em São Paulo - dia 18 e 19 de setembro de 2009.
Contou com a convidada internacional: Marie-Hélène Brousse (Psicanalista da Associação Mundial de psicanálise e da École de La Cause Freudienne – França), que fez duas conferencias:

“Passagem ao ato e ato: a lição do Seminário X”
“Passagem ao ato na clínica analítica: consequência da não relação”


Os participantes puderam apreciar 3 mesas redondas:

Mesa 1
"Uma estabilização a partir do objeto"
"Louis Althusser: de uma parceria amorosa à passagem ao ato?"
"Psicose e ato"

Mesa 2
"Uma estratégia na direção do tratamento de um toxicômano"
"Passagem ao ato e novos sintomas"
"Que corpo está em jogo na passagem ao ato e no FPS?"

Mesa 3
"Gesto irônico e ato bem sucedido"
"Do acting ao ato: considerações sobre um suicídio"
"Passagem ao... ato analítico"

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PALESTRA: Jean Oury

PALESTRA de Jean Oury para os trabalhadores de saúde mental – São Paulo. PUC/SP - 11 de setembro de 2009 – prédio novo – sala 333 [17 às 19 horas].


Jean Oury é psiquiatra, psicanalista.
Foi aluno e analisando de Jacques Lacan.
É fundador e diretor da clínica de La Borde, que inovou a concepção que seja tratamento do sofrimento psíquico a partir da psicoterapia institucional. A instituição como meio... Capaz de se reiventar...

A palestra foi interessante... mas deixou muita “gente sem jeito”... abordou o tema da reforma psiquiátrica e deu vários exemplos do que aconteceu na Itália e na França...

INTERNATIONAL COLOQUIUM ON THE CLINICAL METHOD

Foi muito interessante o Colóquio Internacional sobre o Método Clínico que aconteceu em São Paulo de 4 a 9 de setembro de 2009.

Quatro conferências belíssimas:
The clinical method: a conceptual history;
Time experience and psychopathology: a conceptual history;
Éloge de l´écoute. Fondements philosophiques de la therapeia;
O método clínico [Clínica e conflitos de interesse].

Diversas mesas redondas...

Algumas vozes:
“Agente só aprende das pessoas que amamos” [sem amor não tem escuta].
“A noite que nós banhamos pode ser o preâmbulo de uma aurora”.
“O começo do bem viver é o bem escutar”.

4º ÁGAPE BIOÉTICO

Apresentei um trabalho para os Professores e Alunos do Mestrado em Bioética do Centro Universitário São Camilo... agradeço a oportunidade... foi muito bom...


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

MESA REDONDA

Gostei muito de coordenar a mesa redonda “Rompimentos e ligações do psicanalista com a Instituição”.
Os expositores fizeram uma reflexão sobre a atuação profissional do clínico em âmbito Institucional. Foram feitas considerações a respeito da postura e lugar desse clínico dentro das Instituições. Os temas foram abordados a partir de fragmentos clínicos.

Patrícia Farina - “Criando links, tecendo redes, fortalecendo elos: uma clínica de metáforas”.
Juan Alexander Salazar Silva - “A casa que foi pro buraco: o lugar de um albergue, o lugar do analista”.
Marli Aparecida Martinez - “Clínica do indizível: a morte iminente do paciente mata o desejo de analista”?

O trabalho completo pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.fundamentalpsychopathology.org/8_cong_anais/MR_322a.pdf

CORRESPONDÊNCIAS DO FREUD


Para quem gosta do FREUD recomendo que leia "A Correspondência Completa de Sigmund FREUD para Wilhelm FLIESS".

Tenho certeza que vai gostar muito... Boa leitura...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

RESPEITO À AUTONOMIA DO DOENTE MENTAL: UM ESTUDO BIOÉTICO EM CLÍNICA PSIQUIÁTRICA


RESUMO

O presente estudo teve como objetivos conhecer o pensamento de auxiliares e técnicos em enfermagem a respeito da autonomia do doente mental e demonstrar a importância do respeito ao doente mental pelo profissional de enfermagem para um cuidado adequado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, mas aproveitou-se para explorar também alguns dados quantitativos tornados possíveis pelo tipo de formulário que foi aplicado na coleta dos dados. A pesquisa foi realizada numa instituição psiquiátrica de pequeno porte e envolveu 25 profissionais da saúde mental, treze auxiliares de enfermagem e doze técnicos em enfermagem. Não foi utilizado nenhum critério de exclusão. O instrumento utilizado foi uma entrevista semidirigida para a coleta de dados, com um roteiro norteador que constava na apresentação de dois casos e questões abertas que versavam sobre o respeito à autonomia e vulnerabilidade do doente mental. Os dados foram coletados e analisados considerando-se algumas categorias identificadas, como o bem do doente, necessidade de analisar e compreender, a percepção da vulnerabilidade do doente e seus apelos, condutas relacionadas com a autonomia do doente mental, atitudes de “envolvimento solidário”, racionalizações, concepções de políticas sociais no cuidado a doentes mentais, recursos de um bom atendimento, espiritualidade, desconfiança. Os profissionais levam em consideração a necessidade do paciente que é ser respeitado em sua autonomia, pois, no discurso de alguns profissionais, se percebe a preocupação em atender o paciente de forma que ele não se sinta marginalizado e segregado por ser um doente mental. No que se refere à autonomia do doente mental, tomada como um referencial nesta pesquisa, os profissionais parecem reconhecer que o exercício da autonomia não é um valor absoluto isoladamente, mas, um valor partilhado que dignifica tanto a pessoa que cuida, quanto a que está sendo cuidada pelo profissional. Alguns profissionais mostraram-se incondicionalmente a favor do confinamento. Diante dos resultados desta pesquisa, pode-se concluir pela importância do reconhecimento dos referenciais da Bioética (autonomia, vulnerabilidade e a dignidade da vida humana), no atendimento de doentes mentais em clínica psiquiátrica. No estudo ficam evidenciadas por meio destes referenciais algumas condutas indispensáveis para que o doente mental possa ser respeitado e correspondentemente cuidado em clínica psiquiátrica. Esta pesquisa procurou contribuir sobre as discussões acerca do respeito à autonomia do doente mental, colocando no centro a ética e a dignidade da vida humana no seu mais amplo sentido; e procurou verificar como tais percepções mais amplas se podiam traduzir em atendimento respeitoso e humanizado.

Palavras-chave: Bioética; doente mental; autonomia, vulnerabilidade, dignidade da vida humana.

domingo, 9 de agosto de 2009

PARA COMPREENDER A DOENÇA MENTAL NUMA PERSPECTIVA DE BIOÉTICA

RESUMO: O presente estudo tem por objetivo compreender o doente mental numa perspectiva de bioética em vista de se delinear o respeito a sua autonomia durante tratamentos em hospitais psiquiátricos. A doença mental constitui um campo de inúmeras inquietações teóricas para as ciências, e de desafios práticos no atendimento a doentes mentais. Em tal contexto, a bioética tem sido atualmente uma importante referência para se avaliar a ética em relacionamentos profissionais e institucionais que envolvam pessoas doentes. Tal contribuição da bioética se tornou particularmente importante pelo fato de se ressaltar a necessidade do respeito à autonomia dos sujeitos, como condição para a ética dos relacionamentos. O doente mental tem sua autonomia reduzida, e esta deve ser respeitada. O respeito à autonomia é um dos princípios da bioética que procura estabelecer entre as pessoas que estas sejam tratadas como seres autônomos, e para aqueles que têm sua autonomia reduzida, como no caso dos doentes mentais. Os profissionais que atuam na saúde mental devem procurar ter um envolvimento e um comprometimento com seu trabalho, buscando realização profissional pautada nos princípios e valores da ética e da bioética. Sabe-se, por outro lado, como pode ser complexa a autonomia de doentes mentais, e como, consequentemente, pode ser difícil delinear o respeito ético que lhe é devido.
PALAVRAS CHAVE: Doença mental, bioética, autonomia.

sábado, 8 de agosto de 2009

PESQUISA COM SERES HUMANOS NO BRASIL É ASSIM...

No Brasil pesquisas que envolvam seres humanos estão reguladas pelas Diretrizes e Normas de pesquisa, através da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.
Esta Resolução foi elaborada após uma grande discussão entre sociedade civil organizada, comunidade científica, sujeitos de pesquisas e Estado.
Com a Resolução 196/96 surgiram os Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) institucionais, multidisciplinares na sua composição, com a função de analisar as pesquisas com seres humanos.
O CEP é um colegiado interdisciplinar e independente, de caráter consultivo, deliberativo e educativo, com objetivo de defender os interesses dos sujeitos de pesquisa em sua integridade e dignidade e contribuir para o desenvolvimento das pesquisas dentro dos padrões éticos. A Resolução 196/96 impede uma composição corporativa. Os sexos masculinos e femininos devem estar representados de maneira semelhantes.
“O CEP tem como atribuições:
a) revisar todos os protocolos de pesquisa envolvendo seres humanos,;
b) emitir parecer consubstanciado por escrito, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, identificando com clareza o ensaio, documentos estudados e data de revisão;
c) manter a guarda confidencial de todos os dados obtidos na execução de sua tarefa e arquivamento do protocolo completo, que ficará à disposição das autoridades sanitárias;
d) acompanhar o desenvolvimento dos projetos através de relatórios anuais dos pesquisadores;
e) desempenhar papel consultivo e educativo, fomentando a reflexão em torno da ética na ciência;
f) receber dos sujeitos da pesquisa ou de qualquer outra parte denúncias de abusos ou notificação sobre fatos adversos que possam alterar o curso normal do estudo, decidindo pela continuidade, modificação ou suspensão da pesquisa;
g) requerer instauração de sindicância à direção da instituição em caso de denúncias de irregularidades de natureza ética nas pesquisas;
h) manter comunicação regular e permanente com a CONEP/MS” (Res. 196/96).
Quanto aos aspectos éticos relacionados à pesquisa envolvendo seres humanos, os pesquisadores necessitam estar atentos e sensíveis para estes cuidados em relação ao desenvolvimento de estudos científicos.
O objetivo maior da avaliação ética de projetos de pesquisa é garantir os princípios básicos da Bioética: Autonomia, Beneficência e Justiça.
A Autonomia é vista como respeito à liberdade dos sujeitos de uma pesquisa no que se refere a participação e decisão. Exigência ética fundamental: consentimento livre e esclarecido e a proteção aos vulneráveis.
A Beneficência propõe que os benefícios se tornem maiores e os prejuízos menores. Isso salienta a necessidade de pesquisas bem estruturadas que não traga riscos. Exigência ética fundamental: Comprometimento com o máximo benefício e o mínimo risco.
A Justiça entende-se que não se pode distribuir benefícios de forma desigual na prática da pesquisa, ou seja, não se pode gerar melhoramentos de qualquer espécie para alguns e não para outros. Exigência ética fundamental: garantir de igual consideração dos interesses envolvidos com vantagem significativa para o sujeito da pesquisa e mínimo ônus para os vulneráveis.
A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) é a instancia superior aos CEP. O Comitê de Ética em Pesquisa institucional deverá estar registrado junto à CONEP/MS.

LEIA MAIS:
Brasil - Ministério da Saúde. Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos. Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, 1996, 19p.

HOSPITAL SÃO JOÃO DE DEUS - 41 ANOS

Senhoras e Senhores,
Longe vai o dia em que o Ir. Diamantino e o Ir. Fernandes vindos de Portugal chegaram em Divinópolis e compraram o terreno onde hoje está construído o nosso Hospital São João de Deus. Para os que não sabem, imaginem, hoje onde é o auditório São Ricardo Pampuri, os Irmãos no dia da compra do terreno avistaram dois jumentinhos pastando, pássaros cantado e o sol brilhando. Mas depois de passarem por baixo de uma cerca de arame farpado que protegia o terreno, ficaram deslumbrados com a paisagem que tinha como cenário a pequena e bela cidade de Divinópolis.
Os Irmãos Hospitaleiros com a grande ajuda do Sr. Geraldo Corrêa não tiveram dúvidas que a Ordem Hospitaleira de São João de Deus deveria se instalar em Divinópolis e dar a conhecer o seu carisma e a sua bela missão. Ainda hoje em Divinópolis e região, a Ordem Hospitaleira realiza uma grande missão: recebe diariamente no Hospital pessoas necessitadas de perto e de longe, assim como fazia São João de Deus em sua época na cidade de Granada.
Hoje, depois de mais de 41 anos, a cidade de Divinópolis transformou-se numa grande cidade e o Hospital São João de Deus, no Hospital mais importante da região centro oeste de Minas Gerais.
Parabenizo o Hospital São João de Deus pelos seus 41 anos, na pessoa de seu Presidente-Executivo, Ir. Ronan Pereira Lima. Tenho conhecimento e também compartilho das inúmeras realizações do Hospital São João de Deus, que vem se tornando, ao longo dos anos, uma referência no segmento da saúde em Divinópolis e região. Aproveito para congratular, também, todos os Colaboradores do Hospital que, juntos, estão sempre comprometidos na prestação de excelentes serviços hospitalares, priorizando a humanização. Pois, humanizar também é, além do atendimento fraterno e humano, procurar aperfeiçoar os conhecimentos continuadamente, valorizando todos os elementos implicados nos serviços assistenciais. Na realidade, a humanização do atendimento deve valorizar o respeito afetivo ao outro, deve prestigiar a melhoria na vida e nas relações interpessoais.
Como Delegado Provincial da Ordem Hospitaleira no Brasil, sinto-me honrado em fazer parte de uma organização tão importante como o Hospital São João de Deus. Completar 41 anos é participar da história do Brasil, que se faz progresso em saúde a cada dia. Que o Hospital São João de Deus seja sempre abençoado por Deus e por seu patrono São João de Deus. Que seus passos possam ser medidos pelo número de mãos que se “fazem doação” no serviço ao doente e necessitado de atenção.
Parabéns, Hospital São João de Deus!
Continue “promovendo saúde e repondo esperanças”

BIOÉTICA E PSIQUIATRIA: a vulnerabilidade do doente mental

RESUMO: Desde os primórdios da história da psiquiatria, a doença mental recebeu interpretações diversas, desde castigo dos deuses a possessões demoníacas. As reflexões advindas da bioética, por não intencionar em responder conclusivamente os dilemas humanos, nos ajudam a compreender que a humanização no ambiente psiquiátrico é viver o que é próprio da essência humana. O presente artigo tem como objetivo apresentar a vulnerabilidade como um dos referenciais da bioética, e que os doentes mentais são indivíduos vulneráveis, que necessitam de auxilio para conviver com as incertezas e os perigos do seu meio ambiente.
PALAVRAS CHAVE: Doença mental, bioética, vulnerabilidade.

José Raimundo Evangelista da Costa


Psicólogo Clínico;

Psicanalista;

Mestre em Bioética;

Doutor em Psicologia Clínica.

Diretor Presidente da Associação Hospitaleira de Assistência Social e do Conselho Curador da Fundação Geraldo Corrêa.

SEXUALIDADE NA ESQUIZOFRÊNIA: narrativa de um caso clínico

Resumo: Neste artigo, busca-se compreender a sexualidade na esquizofrenia através da narrativa do caso clínico de um paciente atendido durante três meses em clínica psiquiátrica. Consideramos que no auto-erotismo, o sujeito obtém satisfação sexual recorrendo unicamente ao seu próprio corpo no qual uma pulsão parcial encontra a sua satisfação no funcionamento de um órgão ou na excitação de uma zona erógena.
Palavras-chave: Sexualidade, esquizofrenia, desejo, auto-erotismo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

“ORDEM HOSPITALEIRA - NO MUNDO DA MELHOR IDADE”

A Ordem Hospitaleira de São João de Deus está presente nos cinco continentes e em mais de 50 países, atuando nos mais variados serviços, sempre preocupada em “promover saúde e repor esperanças”.
No Brasil, a Ordem Hospitaleira de São João de Deus está presente em quatro estados brasileiros, sendo eles: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
· No Mato Grosso do Sul temos uma Casa da Hospitalidade na cidade de Aparecida do Taboado;
· Em Minas Gerais temos na Cidade de Divinópolis um Hospital Geral de Alta Complexidade, uma Escola de Enfermagem e um Plano de Saúde;
· Em São Paulo estamos na capital com um Hospital Psiquiátrico;
· E no Estado do Rio, temos um Lar para a melhor idade na cidade de Petrópolis;
Percebe-se uma preocupação da Ordem em relação aos idosos. Sabemos que a população da melhor idade aumenta a cada ano.
A Ordem no Brasil tem procurado fazer o melhor: Colocou na direção do Lar São João de Deus um jovem de 27 anos, que tem como objetivo transformar o Lar num lugar humano e humanizador, e para isso mexeu na estrutura física e na equipe técnica.
O Lar de São João de Deus vem continuamente renovando e adotando uma nova filosofia no tratamento para com os idosos, pois o que vem acontecendo nos últimos anos, no segmento da melhor idade, é uma sensível mudança em relação às atitudes e aos comportamentos. As pessoas antes inertes, passivas e dependentes, transformaram-se em pessoas atuantes, bem resolvidas e autônomas. Podemos classificar esta mudança como: "envelhecimento ativo".
As perdas consideradas próprias desse período da vida são substituídas por novas conquistas, visando o prazer e as satisfações pessoais. As experiências adquiridas e os saberes acumulados através dos anos possibilitam novos projetos de vida e estabelecem reações mais produtivas entre o mundo dos jovens e o dos mais velhos.
Segundo pesquisas, o índice da população com 65 anos ou mais, que avaliou seu estado de saúde como bom ou muito bom, subiu de 36,5% para 40%, no período analisado, enquanto a avaliação do restante da população permaneceu estável, girando em torno de 81%.
Baseado nisso, o Lar São João de Deus busca a melhor forma de tratamento para com nossos “velhinhos” e assim desejamos aos nossos hóspedes que vivam mais e melhor e que o Lar São João de Deus seja um lugar agradável onde possam se sentir bem.